Mesmo com queda nos índices, bairro da Zona Oeste segue entre os mais violentos de São Paulo; moradores denunciam ausência de policiamento
Uma rotina de medo
Pinheiros, bairro tradicional da Zona Oeste de São Paulo, tem vivido dias de tensão. Em menos de um mês, câmeras de segurança registraram pelo menos três assaltos na mesma quadra da Rua Joaquim Antunes. A mais recente vítima foi um jovem rendido por um criminoso armado, que chegou de moto, exigiu o celular e a senha do aparelho.
Moradores relatam sensação de déjà vu. O mesmo ponto já foi palco de outros dois roubos: um casal com um bebê de colo foi rendido e, dias depois, um homem com malas foi assaltado na portaria de um condomínio.
“Hoje eu não tenho coragem de sair com celular ou cartão. Saio sem nada. Só que isso vira outro problema, porque precisamos de aplicativo de transporte até para andar três quarteirões”, disse a aposentada Maria Lúcia, 70 anos, que vive há quatro décadas na região.
“Epidemia” sem resposta
Para a jornalista Monica, de quase 80 anos, o bairro enfrenta uma verdadeira “epidemia” de assaltos. “A gente espera uma resposta efetiva. Não é passar viatura dois dias e sumir. É preciso política de segurança pública”, desabafa.
Após repercussão inicial, moradores relataram presença de viaturas por duas semanas, mas a ronda cessou e os criminosos voltaram a agir.
Números oficiais
Apesar das queixas, os dados mostram uma queda relativa. Depois do recorde histórico de 2024, os roubos em Pinheiros diminuíram 13% no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, em números absolutos, a região segue como a terceira com mais roubos na cidade de São Paulo, atrás apenas de Capão Redondo e Campo Limpo, ambos na Zona Sul.
A cena reforça a contradição: estatísticas em queda, mas sensação de insegurança em alta.
Os moradores de Pinheiros pedem o óbvio: presença policial constante, planejamento estratégico e políticas públicas que devolvam tranquilidade às ruas. Enquanto isso não acontece, a “epidemia” de assaltos segue ditando o ritmo da vida cotidiana no bairro.

