


As entradas e saídas da chamada Zona Azul, área que concentra as negociações oficiais da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), foram totalmente bloqueadas na noite desta terça-feira (11) após uma tentativa de invasão por manifestantes. O incidente provocou momentos de tensão e deixou pelo menos um segurança ferido.
Segundo informações de testemunhas e da equipe de segurança do evento, o episódio ocorreu pouco depois das 19h, quando um grupo de cerca de 50 manifestantes se aproximou de uma das principais portarias da Zona Azul. O grupo carregava faixas e cartazes e entoava palavras de ordem criticando a condução das negociações climáticas e exigindo maior compromisso dos países desenvolvidos com o financiamento de ações ambientais.
Diante da aproximação rápida, seguranças privados que atuam na COP30 formaram cordões humanos para conter o avanço dos manifestantes. A cena gerou empurra-empurra e gritos, enquanto agentes tentavam reorganizar o bloqueio. Um dos seguranças acabou ferido no braço durante o tumulto. Ele recebeu atendimento médico imediato e não corre risco de vida.
A Polícia Militar do Pará e a Força Nacional, que reforçam a segurança do evento, foram acionadas e chegaram ao local em poucos minutos. Viaturas e motocicletas fizeram barreiras adicionais nas ruas que dão acesso à Zona Azul, enquanto agentes dispersaram os manifestantes para áreas mais afastadas, evitando que o protesto se transformasse em confrontos maiores.
O bloqueio total das entradas e saídas durou aproximadamente uma hora. Delegações internacionais e funcionários credenciados ficaram temporariamente impedidos de deixar o perímetro, enquanto helicópteros de segurança sobrevoavam a área. Por volta das 20h30, o acesso foi gradualmente restabelecido, mas com reforço de barreiras físicas e aumento no número de agentes.
Em nota oficial, o comitê organizador da COP30 lamentou o episódio e confirmou a ocorrência de um ferido entre a equipe de segurança. O comunicado destacou que o direito à manifestação será respeitado, desde que não haja risco à integridade física de participantes ou comprometimento da logística do evento. “Estamos adotando medidas adicionais para garantir a segurança de todos os envolvidos na conferência”, diz o texto.
Representantes dos manifestantes afirmaram, em redes sociais, que o objetivo era entregar um manifesto às lideranças internacionais presentes na COP30, denunciando a lentidão nas medidas de combate às mudanças climáticas e a exclusão de povos tradicionais de algumas mesas de discussão. Eles também criticaram o que chamam de “distância entre as decisões oficiais e a realidade das comunidades mais afetadas pelo desmatamento e pela crise climática”.
O incidente ocorre em um contexto de fortes debates e negociações sensíveis em Belém, que recebe pela primeira vez uma COP, reunindo chefes de Estado, ministros e especialistas de todo o mundo. A expectativa é que os próximos dias sejam marcados por novas manifestações, o que levou as autoridades a reforçar protocolos de segurança e criar áreas específicas para protestos, na tentativa de evitar interrupções nas atividades oficiais.
Apesar da tensão, a programação da COP30 seguiu normalmente após o restabelecimento da segurança, com reuniões técnicas e painéis sobre financiamento climático e preservação da Amazônia encerrando a noite de terça-feira.

