Atos reúnem milhares em meio a recorde de feminicídios no Brasil
Milhares de pessoas ocuparam a região da Avenida Paulista, em São Paulo, e ruas de outras cidades brasileiras neste domingo (7), em protestos contra a violência de gênero. Os atos ocorreram em meio ao recorde de feminicídios no país e a uma série de casos recentes que chocaram a opinião pública, levando manifestantes a exigir respostas mais firmes do poder público.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser tipificado em lei, em 2015.
Relatórios recentes também apontam que mais de um terço das mulheres brasileiras sofreu algum tipo de violência de gênero em apenas um ano, o que ajuda a explicar a dimensão das manifestações.
Os atos deste domingo foram convocados por movimentos de mulheres, coletivos feministas e organizações de direitos humanos após uma sequência de casos de grande repercussão nacional, incluindo agressões extremas e assassinatos de mulheres por parceiros, ex-companheiros ou colegas de trabalho.
O que aconteceu em São Paulo e outras cidades
Em São Paulo, o protesto se concentrou na Avenida Paulista, com faixas, cartazes e cruzes simbólicas espalhadas pelo asfalto. Manifestantes entoaram palavras de ordem contra o feminicídio, o estupro e a impunidade, e pediram políticas públicas de prevenção, atendimento e proteção às vítimas.
A mobilização fez parte de uma jornada nacional de lutas, com atos também no Rio de Janeiro onde manifestantes montaram um grupo de cruzes pretas na areia de Copacabana e em capitais e cidades do interior em diferentes regiões do país.
A presença de homens ao lado das mulheres foi destacada por organizadoras como um ponto importante para responsabilizar também os homens na mudança de comportamento e no enfrentamento ao machismo.
Demandas e mensagens dos protestos
Entre as principais reivindicações levantadas nos atos estão:
- fortalecimento das delegacias especializadas e da rede de acolhimento às vítimas;
- aplicação efetiva das medidas protetivas já previstas em lei;
- mais recursos para casas-abrigo, saúde mental e assistência social;
- campanhas permanentes de educação contra a violência de gênero nas escolas e meios de comunicação.
Algumas manifestantes também relacionaram os atos aos debates recentes no Congresso Nacional e ao conjunto de leis que endureceram penas e ampliaram mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência, avaliando que mudanças legais são importantes, mas ainda insuficientes sem prevenção e estrutura de atendimento.
Impacto para o morador de São Paulo
Para quem vive e trabalha na região central e na Paulista, os protestos significaram bloqueios pontuais de vias e alteração de linhas de ônibus, mas também ampliaram o debate público sobre segurança de mulheres em casa, no trabalho e nos trajetos diários.
Organizações feministas que atuam na cidade orientam que vítimas ou testemunhas de violência de gênero procurem:
- canais oficiais da Polícia Civil e Polícia Militar;
- Delegacias de Defesa da Mulher (DDM);
- serviços municipais e estaduais de atendimento à mulher em situação de violência.
Serviço
- Tema: Protestos contra violência de gênero e feminicídio
- Onde: Avenida Paulista (São Paulo) e outras cidades brasileiras
- Quando: Domingo, 7 (data dos atos nacionais)
- Motivação: Recorde de feminicídios e casos recentes de violência extrema contra mulheres
- Orientação às vítimas:
- Ligue 190 em situação de emergência
- Procure uma Delegacia de Defesa da Mulher
- Acesse a rede local de atendimento psicossocial e jurídico às mulheres

