

A Marquise do Parque Ibirapuera, ícone da arquitetura moderna paulistana projetado por Oscar Niemeyer, reabre neste sábado, dia 24 de janeiro de 2026, após mais de cinco anos de interdição e uma reforma milionária que devolve à cidade um de seus espaços públicos mais emblemáticos.
História e interdição prolongada
Inaugurada em 1954 como parte do conjunto arquitetônico do Parque Ibirapuera, a Marquise José Ermírio de Moraes sempre funcionou como elo vital entre pavilhões culturais como o Museu de Arte Moderna, a Oca e o Museu Afro Brasil. Com seus 27 mil metros quadrados de cobertura de concreto armado sustentada por 120 colunas, o espaço se tornou sinônimo de convivência democrática, lazer ao ar livre e manifestações culturais espontâneas, frequentado por gerações de paulistanos em busca de sombra e interação social.
O fechamento ocorreu em agosto de 2020, após interdições parciais desde o fim de 2019, motivadas por problemas estruturais como infiltrações, degradação da laje e risco de desabamento de elementos do teto. A decisão judicial veio a pedido de uma associação de moradores vizinhos, que alegava insegurança e descaso com o patrimônio tombado pelo Condephaat, órgão estadual de preservação. A reforma, iniciada apenas em 2024 pela concessionária Urbia, responsável pela gestão do parque desde 2021, enfrentou atrasos, aditivos contratuais e escrutínio rigoroso dos órgãos de tombamento, que realizaram vistorias mensais para garantir a fidelidade ao projeto original de Niemeyer.
Obras de revitalização e custo elevado
O investimento totalizou R$ 86.915.749,12, bancado pela Prefeitura de São Paulo e executado sob supervisão da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. As intervenções englobaram a requalificação completa da estrutura, com substituição de forro por gesso liso, reforço de pilares, vigas e laje, impermeabilização total, novo sistema de drenagem, platibanda renovada, piso antiderrapante e iluminação moderna em LED. Técnicos removeram toneladas de impermeabilizantes acumulados ao longo de décadas, o que encareceu a obra além do previsto no edital inicial.
A Prefeitura destacou o compromisso com a preservação da memória urbana e a transformação do local em ponto de encontro para cultura, esporte e bem-estar. A reabertura, marcada para as 9h30 deste sábado com presença do prefeito Ricardo Nunes, coincide com a véspera do aniversário de 472 anos da cidade, reforçando o simbolismo de um presente aos paulistanos. Uma exposição fotográfica sobre o fundo do mar acompanhará o evento inaugural, embora regras definitivas de uso cultural ainda dependam de aprovação final.
Novas regras e uso compartilhado
Para evitar conflitos passados, a gestão municipal publicou decreto autorizando práticas esportivas e estabelecendo regulamentação participativa, elaborada com o Conselho Gestor do parque e a sociedade civil. Cerca de 3.600 metros quadrados foram destinados exclusivamente a skate, patins e bicicletas BMX, esportes radicais historicamente arraigados no local e que geraram polêmica no ano passado, quando a Secretaria do Verde tentou proibi-los temporariamente. Uma área kids de 700 metros quadrados, com restrição a bicicletas de aro até 16, prioriza segurança infantil.
O restante do espaço priorizará exposições culturais e eventos pequenos, com aprovação prévia da concessionária e adesão ao Plano Diretor do parque, incluindo limites para volume de som e preservação da estrutura. Bicicletas maiores e atividades de alto impacto ficam vetadas em zonas sensíveis, visando boa convivência entre frequentadores diversos.
Polêmicas, limitações e impacto cultural
A reforma não ficou imune a controvérsias, como o custo elevado em meio a restrições orçamentárias municipais e o custo anual adicional de R$ 3,5 milhões para manutenção pela Urbia. Duas áreas adjacentes permanecem fechadas: o Museu Afro Brasil, em reforma sem data para fim, e partes do entorno por questões de segurança. Críticos questionam se a intervenção resolveu problemas crônicos de infiltração e se o novo forro de gesso resiste ao uso intenso sob o clima subtropical paulistano.
Para a população, a reabertura resgata um pulmão cultural da metrópole, integrando esporte, arte e lazer em um patrimônio tombado que simboliza a ousadia modernista brasileira. Especialistas em urbanismo veem na Marquise revitalizada uma oportunidade para São Paulo repensar seus espaços públicos como territórios inclusivos e resilientes, capazes de abrigar a efervescência da vida citadina sem perder a essência poética de Niemeyer. Neste sábado, o Ibirapuera ganha de volta sua ponte de concreto e sonhos, pronta para abrigar novas histórias sob o céu de verão paulistano.
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