

Uma startup americana de inteligência artificial dedicada a auxiliar médicos em prescrições e decisões clínicas acaba de conquistar o status de unicórnio. A OpenEvidence, frequentemente apelidada de ChatGPT para doutores, alcançou valuation de 1 bilhão de dólares em rodada de investimento fechada em fevereiro de 2025, marcando sua entrada no clube exclusivo das empresas privadas bilionárias. Fundada há pouco mais de dois anos, a companhia sediada em Cambridge, Massachusetts, demonstra o apetite voraz de investidores pela interseção entre IA e saúde.
O marco veio com um aporte de 75 milhões de dólares liderado pela Sequoia Capital, que elevou o valor de mercado da startup para além do patamar bilionário, totalizando mais de 100 milhões captados desde o lançamento em 2023. Desde então, a trajetória só acelerou: em outubro, o valuation saltou para 6 bilhões, e agora, em janeiro de 2026, dobrou novamente para 12 bilhões após nova rodada de 250 milhões, com participação de pesos pesados como Thrive Capital, DST Global, Google Ventures, Nvidia e a Clínica Mayo. Esse crescimento meteórico reflete não só o hype em torno da IA generativa, mas resultados concretos no dia a dia dos profissionais de saúde.
A OpenEvidence opera como um copiloto médico digital, treinado em vasto repositório de literatura científica revisada por pares, incluindo parcerias exclusivas com o New England Journal of Medicine desde 1990. Diferente de chatbots genéricos como ChatGPT ou Claude, a plataforma sintetiza evidências clínicas em respostas precisas e contextualizadas, ajudando médicos a consultar protocolos, diferenciar diagnósticos e otimizar prescrições com base em dados atualizados. Testes independentes revelam superioridade: sua IA pontuou acima de 90% no exame de licenciamento médico americano, superando GPT‑4 em 24% e o Med‑PaLM 2 do Google em 31% na taxa de erros.
O fundador, Daniel Nadler, traz bagagem relevante para o empreendimento. Ex‑CEO da Kensho Technologies, vendida por cerca de 700 milhões de dólares à S&P Global em 2018, Nadler identificou uma dor crônica no setor médico: a sobrecarga informacional que consome horas preciosas de consultas e plantões. A plataforma, gratuita para usuários iniciais, já alcança 40% dos médicos americanos, com 95% das aquisições vindas de indicações boca a boca, sem marketing agressivo. Em 2025, a receita anualizada superou 100 milhões de dólares, impulsionada por assinaturas premium e integrações com sistemas hospitalares.
O sucesso da OpenEvidence ecoa em um ecossistema de saúde que gasta 5 trilhões de dólares por ano nos EUA, cerca de 20% do PIB, onde erros de prescrição custam bilhões e atrasam tratamentos. Ferramentas como essa prometem reduzir falhas, acelerar fluxos de trabalho e democratizar acesso a evidências de ponta, especialmente em regiões subatendidas. Nadler enfatiza a conformidade com HIPAA, a legislação americana de proteção de dados médicos, como diferencial competitivo em um campo minado por rivais como o ChatGPT Health da OpenAI e o Claude Healthcare da Anthropic.
Nem tudo são rosas, porém. Críticos apontam riscos inerentes à IA em contextos de vida ou morte: vieses em bases de dados, alucinações factuais e a dependência excessiva de algoritmos que ainda carecem de julgamento humano. Reguladores como a FDA acompanham de perto, exigindo validações clínicas rigorosas para ferramentas que influenciam prescrições. No Brasil, onde o setor de saúde privada cresce acelerado, startups semelhantes como a Hilab e a Neomed testam águas parecidas, mas barreiras regulatórias e culturais freiam a adoção em massa.
O caso OpenEvidence inscreve‑se em uma onda maior de unicórnios na saúde digital. Plataformas como Ro e Spring Health, também bilionárias, exploram telemedicina e saúde mental, enquanto gigantes como Insilico Medicine avançam na descoberta de fármacos via IA. Investidores veem potencial ilimitado: fundos como General Catalyst e Kleiner Perkins apostam que a IA redefinirá a medicina preventiva e personalizada, cortando custos e salvando vidas.
Para Nadler, o bilionário improvável que viu sua fortuna pessoal explodir para 1,3 bilhão em meses, o foco permanece na missão: construir a IA mais confiável para médicos do mundo. Com valuation agora em 12 bilhões, a OpenEvidence não para: planeja expandir para Europa e Ásia, recrutar cientistas na encruzilhada de large language models e medicina, e aprofundar parcerias com instituições como Mayo Clinic. Em um setor tradicionalmente avesso a disrupções, essa startup prova que a inteligência artificial pode, sim, prescrever um futuro mais eficiente e humano para a saúde global.
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