

Uma megaoperação integrada das forças de segurança de São Paulo vem redesenhando a rotina de policiamento ostensivo na capital, com foco declarado na redução de furtos e roubos de veículos e no enfrentamento de quadrilhas especializadas. A iniciativa articula diferentes comandos da Polícia Militar, apoio da Polícia Civil e, em alguns municípios, participação das guardas civis, combinando bloqueios simultâneos, blitz em corredores estratégicos, uso intensivo de tecnologia e análise de dados criminais em tempo real.
Estrutura da operação e foco territorial
O plano de ação concentra esforços em áreas identificadas por estatísticas da Secretaria da Segurança Pública como pontos quentes de crimes patrimoniais, em especial regiões com alta incidência de furtos e roubos de veículos e assaltos cometidos com o uso de motocicletas. Na capital, a estratégia prevê fases sucessivas: em um primeiro momento, bloqueios em dez pontos simultâneos distribuídos por todas as zonas da cidade, com atuação reforçada do Comando de Policiamento de Trânsito e do Comando de Policiamento de Choque; em seguida, ações direcionadas a bairros como Tatuapé, na zona leste, e ao extremo sul, onde índices recentes indicaram crescimento de ocorrências.
Mais de cem policiais militares, cerca de cinquenta viaturas, motos e guinchos compõem o efetivo empregado nos primeiros dias, aliados ao helicóptero Águia, responsável por prover apoio aéreo, acompanhamento em tempo real e orientação das equipes em terra. Em paralelo, operações localizadas em cidades da Grande São Paulo e do interior, como Salto e Praia Grande, reforçam o caráter estadual da ofensiva, com esforço simultâneo contra quadrilhas que atuam no roubo e no desmanche de veículos.
Integração entre comandos e uso de tecnologia
Um dos pilares do modelo é a integração entre diferentes comandos da Polícia Militar, que passam a operar de forma sincronizada em áreas previamente mapeadas por inteligência, cruzando informações sobre horários, rotas de fuga, reincidência de suspeitos e perfil das vítimas. Coronéis responsáveis pela coordenação operacional ressaltam que os bloqueios não são aleatórios, mas definidos a partir de análises criminais que apontam “áreas de interesse da segurança pública”, onde a vistoria de motocicletas, consultas a chassis e verificação de sinais de adulteração de veículos têm maior probabilidade de flagrar irregularidades.
O monitoramento por câmeras de videovigilância também ganha protagonismo, sobretudo em regiões integradas ao programa Muralha Paulista, que reúne milhares de equipamentos com leitura automática de placas e, em algumas localidades, reconhecimento facial. Prefeituras como a de Santo André e da capital reforçam essa frente com centrais próprias de inteligência e centros de operações integrados, conectando guardas civis metropolitanas à PM, o que permite identificar veículos roubados em circulação e acionar rapidamente as equipes de rua.
Impacto nos indicadores e percepção da população
Dados recentes mostram que, em áreas onde a atuação integrada se consolidou, houve queda expressiva dos crimes contra o patrimônio. Em Santo André, a Secretaria de Segurança Pública registrou redução de 49 por cento nos roubos de veículos em um dos meses analisados, resultado atribuído ao trabalho conjunto da Polícia Militar, Polícia Civil, Guarda Civil Municipal e estruturas de monitoramento eletrônico. No centro da capital, balanço da 1ª Delegacia Seccional aponta recuo de 31,3 por cento nos roubos de veículos entre janeiro e outubro de 2024, além de quedas em roubos e furtos em geral, após o reforço de efetivo, viaturas e patrulhamento 24 horas.
Comandos regionais ressaltam que a presença ostensiva, aliada a operações de impacto, aumenta a sensação de segurança e inibe a ação de criminosos, sobretudo em períodos de maior fluxo, como horários de pico, áreas comerciais e corredores de ligação entre bairros. Especialistas em segurança pública, porém, lembram que a manutenção de resultados depende de continuidade, fiscalização de desmanches ilegais e ações de inteligência capazes de atingir toda a cadeia do crime, do roubo à receptação.
Desafios e próximos passos
Embora os números iniciais sejam animadores em alguns recortes, o desafio de conter furtos e roubos de veículos em uma metrópole como São Paulo permanece complexo, dado o alto valor de revenda de peças e a capilaridade de quadrilhas especializadas. Operações como a SP-055, no litoral, que prendeu suspeitos ligados a série de roubos de carros e motos em rodovias, mostram que a repressão qualificada a esses grupos é peça-chave para que a megaoperação de rua não se limite a um efeito pontual.
A Secretaria da Segurança Pública indica que novas fases da ofensiva devem ampliar o emprego de tecnologia, drones e sistemas de cruzamento de dados, além de manter o calendário de blitz e bloqueios em pontos estratégicos durante o ano. Para motoristas, a mensagem é dupla: de um lado, maior fiscalização sobre documentação, licenciamento e irregularidades veiculares; de outro, a promessa de uma malha de proteção mais densa nas vias, em que a chance de um veículo roubado ser localizado e recuperado seja cada vez maior.
Marcelo Henrique de Carvalho – editor-chefe
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