

Entidades alertam para perda de competitividade, queda de arrecadação e risco de desindustrialização no polo químico paulista
Representantes da indústria química, entidades sindicais e a Prefeitura de Cubatão se reuniram para alinhar uma agenda conjunta de enfrentamento à crise do setor, marcada pelo fechamento de fábricas e perda de competitividade. As propostas devem ser apresentadas ao vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, em encontro previsto com o governo federal.
O encontro ocorreu em Cubatão, município estratégico do polo industrial da Baixada Santista, e teve como foco os impactos econômicos, sociais e fiscais da retração da indústria química. Segundo os participantes, o encerramento de operações industriais no município compromete diretamente a arrecadação tributária local e a manutenção de serviços públicos essenciais.
De acordo com o prefeito César Nascimento, a crise industrial produz efeitos imediatos no orçamento municipal. Ele afirmou que a perda de plantas industriais afeta áreas como saúde, segurança pública e políticas sociais, que dependem da base arrecadatória gerada pelo setor produtivo.
Competitividade e custos estruturais
Durante a reunião, a Associação Brasileira da Indústria Química apontou a perda estrutural de competitividade como o principal fator da crise. Segundo o presidente-executivo da entidade, André Passos Cordeiro, o elevado custo de insumos estratégicos especialmente o gás natural tem inviabilizado a manutenção de operações industriais no país.
O dirigente destacou que os vetos ao capítulo do Regime Especial da Indústria Química (REIQ), inserido na Lei nº 15.294/2025, agravaram o cenário ao criar um intervalo regulatório até a entrada em vigor do Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), cujos efeitos práticos estão previstos apenas para 2027.
Emprego e impacto social
Entidades sindicais também relataram efeitos diretos no mercado de trabalho. Representantes dos trabalhadores apontaram redução de turnos, paralisações e demissões em unidades industriais, inclusive em plantas que haviam recebido investimentos recentes em modernização.
Segundo os sindicalistas, a retração do setor ameaça empregos qualificados e cadeias produtivas inteiras, com risco de perdas permanentes. A avaliação é que a ausência de uma solução transitória para o REIQ acelera decisões empresariais consideradas irreversíveis.
Carta e articulação federativa
Os alertas constam em documento encaminhado ao vice-presidente Geraldo Alckmin por entidades sindicais e pela Abiquim. A carta aponta que a indefinição regulatória para 2026 já produz efeitos concretos, como fechamento de plantas, redução de produção e eliminação de postos de trabalho, especialmente em polos industriais do estado de São Paulo.
O texto também menciona o cenário internacional adverso, caracterizado por excesso de capacidade produtiva, subsídios externos e concorrência considerada desleal, reforçando a necessidade de instrumentos de política industrial para preservar a produção nacional.
No encontro em Cubatão, houve consenso de que a pauta a ser levada ao governo federal deve evidenciar os impactos da crise para além das empresas, atingindo municípios industriais, trabalhadores e a arrecadação pública. A expectativa dos participantes é que a agenda com o governo resulte em encaminhamentos concretos e medidas de curto prazo para mitigar os efeitos do atual cenário.
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