Um incêndio de grandes proporções destruiu na madrugada desta quinta-feira uma fábrica de colchões na zona leste de São Paulo e atingiu três imóveis vizinhos, mobilizando uma verdadeira força-tarefa do Corpo de Bombeiros e deixando um rastro de destruição em uma área mista de comércios e residências. Apesar da cena impressionante, com labaredas altas e densa coluna de fumaça visível à distância, não houve registro de feridos, segundo a corporação.
Madrugada de fogo na zona leste
O fogo começou por volta das 2h30 na Rua Pedroso da Silva, no Jardim Helena, bairro da zona leste que concentra pequenas indústrias, oficinas e serviços de bairro. O primeiro chamado aos bombeiros foi registrado às 2h31, e rapidamente foram enviadas 12 viaturas e 37 agentes para o local, diante da intensidade das chamas e do risco de propagação para construções vizinhas.
Segundo relatos dos militares, as chamas tiveram início na fábrica de colchões e, em poucos minutos, consumiram a estrutura interna do galpão, alimentadas por materiais altamente inflamáveis, como espumas e tecidos. A partir dali, o fogo se alastrou para uma oficina mecânica, uma academia e uma creche situada nos fundos da quadra, ampliando a complexidade da ocorrência.
Três imóveis atingidos e perda total em oficina
A oficina mecânica vizinha foi um dos pontos mais afetados: todos os veículos que estavam no interior do imóvel foram consumidos pelas chamas, resultando em perda total, de acordo com a avaliação inicial dos bombeiros. Estruturas metálicas retorcidas, carcaças de carros carbonizadas e ferramentas destruídas compunham o cenário ao amanhecer, enquanto as equipes ainda trabalhavam no rescaldo para evitar novos focos de fogo.
A academia instalada ao lado também sofreu danos significativos. Parte da parede compartilhada com a fábrica cedeu e houve danos estruturais, o que levou os bombeiros a indicarem risco de desabamento em avaliação preliminar. Já a creche, atingida na parte dos fundos, apresentou danos na alvenaria e na cobertura, exigindo inspeção mais detalhada antes de qualquer decisão sobre o retorno das atividades.
Trabalho dos bombeiros e controle das chamas
O combate ao incêndio se estendeu pela madrugada e avançou pela manhã, em um trabalho dividido entre o controle das frentes de fogo e a proteção de imóveis vizinhos ainda não atingidos. Com a presença de grande volume de material combustível no interior da fábrica, os bombeiros adotaram estratégia de ataque direto combinado com resfriamento de estruturas, para evitar colapso total de paredes e telhados.
De acordo com a corporação, por volta do início da manhã o incêndio já se encontrava em fase final de controle, restando apenas pequenos focos e áreas de fumaça, típicos da etapa de rescaldo. Moradores da região, que acompanharam a movimentação da rua, relataram barulho de estalos, estouros e calor intenso durante o avanço das chamas, mas confirmaram que os imóveis residenciais próximos não chegaram a ser atingidos.
Sem vítimas, mas com forte impacto local
A principal boa notícia, em meio aos prejuízos materiais, foi a confirmação de que não houve vítimas. No momento em que o fogo começou, a fábrica e os demais estabelecimentos estavam fechados, o que reduziu o risco de pessoas presas no interior dos imóveis. Ainda assim, o impacto econômico para os proprietários dos negócios e para as famílias que dependem dessas atividades deve ser expressivo, e alguns comerciantes já falam na necessidade de reconstrução praticamente do zero.
A creche atingida na parte posterior também preocupa moradores, que temem interrupção temporária no atendimento às crianças da comunidade. A prefeitura deve ser acionada para vistoria da Defesa Civil e eventual interdição, até que a segurança estrutural seja garantida.
Causas em investigação e próximos passos
As causas do incêndio ainda não foram determinadas. Segundo o Corpo de Bombeiros, somente a perícia técnica, a cargo da Polícia Científica, poderá identificar o ponto exato de origem, bem como eventual falha elétrica, curto-circuito ou outro fator que tenha desencadeado o fogo.
Após o término do rescaldo, a área deve ser isolada para que peritos possam trabalhar com segurança, coletando vestígios, ouvindo responsáveis pelos estabelecimentos e analisando a disposição de máquinas, fiações e materiais. O laudo poderá servir de base para procedimentos administrativos, ações de seguro e eventuais medidas de responsabilização, caso seja constatada negligência em normas de segurança contra incêndio.
Enquanto isso, a cena que se impõe à vizinhança é a de fachadas chamuscadas, estruturas comprometidas e um galpão de colchões reduzido a escombros, lembrando a fragilidade de empreendimentos instalados em áreas densamente ocupadas, quando não se observa com rigor a prevenção contra incêndios. Em um contexto de histórico de grandes tragédias causadas pelo fogo na capital paulista, o episódio no Jardim Helena reacende o debate sobre fiscalização, adequação de projetos às normas do Corpo de Bombeiros e a importância de planos de contingência bem estruturados, mesmo em empresas de pequeno e médio porte.
Marcelo Henrique de Carvalho – editor-chefe
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