Com apenas 23 mm de precipitação, abaixo da média histórica de 43 mm, nível dos reservatórios caiu e população enfrenta redução no abastecimento.

O mês de agosto terminou com volume de chuvas bem abaixo do esperado no Grande ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema registraram apenas 23 milímetros de precipitação, uma queda de 46% em relação à média histórica de 43 mm. O cenário preocupa autoridades e já levou a Sabesp a adotar medidas de racionamento.

Em Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, a média foi de 50 mm, dentro do previsto. Apesar disso, o quadro geral indica queda significativa em comparação com 2024, quando os sete municípios registraram em média 54 mm no mesmo período.

Para setembro, a previsão do Climatempo aponta 84,8 mm de precipitação. Entretanto, até o dia 5, a possibilidade de chuva permanece em 0%, reforçando a preocupação com os mananciais que abastecem a região.

De acordo com o meteorologista Márcio Bueno, dá Tempo OK, a média histórica para setembro é de 55 mm. No ano passado, foram registrados apenas 27 mm. “A dinâmica atmosférica pode desfavorecer o deslocamento dos sistemas responsáveis pelas chuvas no Sudeste. Isso deve deixar o mês ligeiramente mais seco”, explicou.

Apesar da escassez, Bueno destaca que o Grande ABC é mais úmido do que o restante da Região Metropolitana de São Paulo devido à entrada da brisa marítima, que favorece a ocorrência de garoa e chuviscos no fim da tarde e durante a noite.

RACIONAMENTO E RESERVATÓRIOS EM ALERTA

O baixo índice pluviométrico impactou diretamente os níveis de água nos reservatórios. Desde 27 de agosto, a Sabesp iniciou um racionamento por meio da redução da pressão da água no período noturno.

Os reservatórios do Sistema Integrado Metropolitano (SIM) estavam em 37,8% quando a medida foi anunciada. Já no dia 1º de setembro, o volume havia caído para 36,9%.

Nos mananciais locais, a situação também preocupa:

  • Rio Grande: 58% (abastece Santo André, São Bernardo e Diadema)
  • Cantareira: 34,4%
  • Alto Tietê: 29,3%
  • Rio Claro: 20,9%

Esses sistemas, em conjunto, abastecem ainda Santo André, São Caetano, Mauá e Ribeirão Pires.

Segundo Bueno, os níveis devem permanecer baixos até a última semana de setembro, quando se espera a retomada do período úmido.

IMPACTOS DO TEMPO SECO

O tempo seco e a ausência de chuvas favorecem o acúmulo de poluentes, comprometendo a qualidade do ar. “A baixa umidade e o ressecamento do solo aumentam o risco de queimadas nesse período, já que a vegetação perde umidade e se torna altamente inflamável”, explica o meteorologista.

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Jornalista com especialização em Jornalismo Político e Consultoria e Certificação Ambiental, além de formação concluída em Jornalismo Investigativo pela Abraji. Atualmente, continua seus estudos em comunicação e crises públicas e privadas, ampliando sua atuação em áreas estratégicas da informação. Com uma escrita analítica, ética e profundamente conectada à realidade, constrói narrativas que vão além do óbvio, explorando os bastidores do poder e os impactos sociais da informação. Vinicius Mororó – Jornalista Atípico

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