O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou neste sábado (6) o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI Xapori Yanomami) do país, localizado no Território Yanomami, em Roraima. A visita marcou o início dos atendimentos no espaço, construído com investimento federal de cerca de R$ 29 milhões para ampliar a capacidade de assistência à população indígena e oferecer resposta mais ágil a casos graves e emergências.
Estrutura e funcionamento
Com 1.300 m² de área construída, o centro tem capacidade para acolher até 120 pacientes e acompanhantes. O espaço é dividido em três blocos: alojamento de profissionais, área de atendimentos e refeitório. A equipe é composta por 164 profissionais — incluindo médicos, enfermeiros, cirurgiões-dentistas, agentes indígenas de saúde e equipes de logística e saneamento.
Entre os equipamentos disponíveis estão raio-x, ultrassonografia, exames laboratoriais, doppler fetal, eletrocardiograma e recursos para diagnóstico e tratamento de doenças como malária e câncer do colo do útero. O centro também possui salas de estabilização, Central de Esterilização, sistemas de refrigeração para medicamentos e vacinas, além de geradores e soluções sustentáveis para energia e abastecimento de água.
Impacto esperado
Segundo o Ministério da Saúde, a unidade beneficiará cerca de 40 mil indígenas de 60 comunidades, reduzindo a necessidade de remoções para centros urbanos e garantindo maior resolutividade no atendimento local. Dados preliminares já apontam queda de 33% no número de óbitos no território Yanomami em dois anos, além de reduções significativas em mortes por doenças respiratórias (45%), malária (65%) e desnutrição (74%).
Contexto e parcerias
A iniciativa é fruto de um Acordo de Cooperação Técnica entre o Ministério da Saúde, a Central Única das Favelas (Cufa) e a organização Target Ruediger Nehberg Brasil, com apoio do Exército, Conab, Ministério da Defesa e Ministério de Minas e Energia.
Desde 2023, o Governo Federal tem reforçado ações emergenciais no território Yanomami, após denúncias de abandono e crise humanitária. Atualmente, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami conta com 1.855 profissionais, mais que o dobro em relação a 2022, e todos os 37 polos de saúde em funcionamento.
Declarações
Durante a visita, Padilha destacou a importância do investimento:
“Estamos trazendo a saúde da terra indígena Surucucu para o século XXI, com equipamentos modernos, melhores condições de trabalho para os profissionais e acolhimento digno para a população indígena”, afirmou.
O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, reforçou que o novo centro permitirá maior agilidade:
“Os exames são realizados diretamente no local, evitando que o indígena precise se deslocar de avião até Boa Vista”, explicou.
Até o final de 2026, o Ministério da Saúde prevê a entrega de mais duas unidades semelhantes, além da reestruturação da Casa de Saúde Indígena (Casai) em Boa Vista e parcerias com o Hospital Universitário. O governo estima que, somente em 2025, mais de 154 mil atendimentos sejam realizados no território Yanomami.
