Brasil conquista ouro inédito por equipes e encerra melhor campanha da história no Mundial de Halterofilismo do Egito
O Brasil encerrou neste sábado (18/10/2025), no Cairo (Egito), a melhor campanha da sua história em Campeonatos Mundiais de Halterofilismo Paralímpico, conquistando o ouro por equipes femininas e terminando na quinta colocação geral do quadro de medalhas, com seis pódios.
A equipe campeã foi formada por Mariana D’Andrea (SP), Lara Lima (MG) e Tayana Medeiros (RJ) todas também medalhistas nas disputas individuais. Na final, o trio brasileiro venceu o Uzbequistão por 312,94 a 214,03 pontos, garantindo o título inédito.
Na disputa por equipes mistas, o time brasileiro formado por Gustavo Amaral de Souza (RJ), Marco Túlio Cruz (MG) e Maria de Fátima de Castro (AM) terminou na quarta colocação, após partida equilibrada contra a China e o Egito.
Campanha histórica com seis medalhas e recordes quebrados
O Brasil encerrou o Mundial com seis medalhas: um ouro, três pratas e dois bronzes, superando o recorde anterior obtido em Dubai 2023 (quatro medalhas). Foram cinco conquistas individuais e uma por equipes, consolidando o país como uma das potências da modalidade.
O coordenador de halterofilismo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Murilo Spina, destacou o avanço técnico e estratégico da equipe:
“Esse Mundial foi o início da preparação para os Jogos de Los Angeles. O Brasil mostrou força e consistência. Quebramos três recordes nacionais e quatro recordes das Américas. É a consolidação de um trabalho de longo prazo.”
Outro dado expressivo: 18 dos 25 halterofilistas brasileiros terminaram entre os 10 melhores do mundo em suas categorias um feito sem precedentes na história da equipe.
O ouro que virou homenagem
Na fase classificatória, o Brasil avançou em primeiro lugar.
- Lara Lima levantou 100 kg (bronze individual até 41 kg);
- Mariana D’Andrea validou 125 kg (prata até 73 kg);
- Tayana Medeiros ergueu 130 kg (prata até 86 kg).
Na semifinal, o Brasil superou o Egito, com marcas ainda mais altas: 100 kg (Lara), 133 kg (Mariana) e 135 kg (Tayana).
Na final, diante do Uzbequistão, o trio manteve a regularidade e confirmou o título com 135 kg, 101 kg e 127 kg, respectivamente.
“Essa medalha é para o meu pai. No Mundial passado precisei sair antes da disputa por equipes por causa da morte dele. Estar aqui, vencer e homenageá-lo é muito especial”, emocionou-se Mariana D’Andrea após a vitória.
A companheira de equipe, Tayana Medeiros, completou:
“Viemos com sangue nos olhos. Essa conquista representa a força do halterofilismo feminino brasileiro.”
Superação e força coletiva
O ouro no Cairo simboliza mais do que uma vitória esportiva é o retrato de uma geração que consolidou o Brasil entre as maiores potências do halterofilismo mundial. O desempenho do grupo também demonstra o impacto de programas de incentivo e patrocínio contínuo ao esporte paralímpico.
As Loterias Caixa e a Caixa Econômica Federal são patrocinadoras oficiais da modalidade. Cinco atletas medalhistas Mariana D’Andrea, Tayana Medeiros, Lara Lima, Marco Túlio Cruz e Maria de Fátima integram o Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, que apoia 148 esportistas.
Mariana também faz parte do Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que beneficia 154 atletas com suporte técnico e financeiro.
Impacto histórico
Com os resultados no Egito, o Brasil alcança 14 medalhas em Campeonatos Mundiais, praticamente dobrando seu total anterior. O feito reafirma o país como uma das maiores forças do halterofilismo paralímpico das Américas e um dos principais candidatos ao pódio nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028.
“O que vimos no Cairo é o reflexo de um trabalho coletivo e de uma geração inspiradora”, concluiu Spina.
Crédito da imagem: Foto: Divulgação / Comitê Paralímpico Brasileiro – 2025
